E deslizando no conforto de meu transporte, me transportando através da maresia e dos bons ventos que me lambiam na Praia dos Milagres desejando-me bom dia.
O sol, me beijando e guiando pela Sigismundo até o Forte de São Francisco e novamente o litoral de pedras e surfistas do "Zé Pequeno" no meu rumo à Casa Caiada.
São muitos nomes, sensações e cheiros que o vento forte do mar, misturado com o chuvisco insesante causado pelas ondas quebrando na praia, que muitas vezes me perco no olhar profundo da imensidão do mar, não vejo pessoas, não vejo placas, só flutuo ao vento, à deriva, olhando bem ao fundo, buscando algum sinal no extremo sul do Atlântico Sul.
Passam nas vistas algumas praias maravilhosas, com águas acalmadas pelos arrecifes de pedras que o bixo-homem vêm fazendo ao longo da costa, uma espécie de quebra-mar artificial que se iludem que pode segurar as forças dos mares caso ele resolva ocupar um pedacinho da costa.
E assim sigo flutuando entre as areias de Janga e suas casas e pousadas litorâneas, algumas parecem abandonadas, com acúmulo de sujeira e muitas portas, janelas e portões castigados pela força da maresia constante.
Passei pela Estátua de Iemanjá e algumas construções que eram ou pareciam ser antigos fortes, entrei pelas ruas e vielas de algumas comunidades mais caiçaras em busca de moradia, afinal de contas meu deslocamento não era somente de passeio, minha finalidade principal era encontrar lugares para morar, eu e Selvagem.
Vi muitas vielas com casas bonitas, algumas pequenas com varandas nas ruas perpendiculares da praia, algumas com quintal diminuto, cabe o Selvagem, cabe meu transporte, estou no litoral, bem no litoral, mais que isso só se comprar um barco e morar dentro do mar.
Me parece que estou quase na ponta do continente, no lugar mais dentro do oceano, na porção de terra mais próxima à Mãe África, sinto seu rugido vindo do mar que invoca as marés e destrói uma destas passagens feitas com toneladas de pedras e que serviam que passagem e acesso à uma das moradias locais, precisei retornar.
Segui por Paulista, entrei em diversas ruas e me apaixonei por muitas casas, quero morar no litoral, bem no litoral, não me importo de me locomover 30 ou 40km diários até Olinda para meus trabalhos, serão 1h30 diárias de deslocamento pelo melhor litoral que eu já vi na minha vida, é claro que entendo os dias de chuva e inverno que terei que enfrentar bem neste litoral, mas vale a pena, quero um casinha agradável no litoral, é isso.
Quando me perdi em pensamentos e retomei à consciência, já estava em Maria Farinha, haviam se passado 3 horas de deslocamento no litoral, pelas ciclocoisas, calçadões, pelas areias de algumas praias, uns trechos de pista e muita exploração das ruas e vielas dos bairros mais caiçaras.
Amei, quero morar no litoral, já falei isso? Bem dentro do mar, se puder vou comprar um barco e morar dentro deste Atlântico Sul.
Quando o efêmero deixa de ser apenas uma coisa momentânea e ganha um ar agraciado. Momentos efêmeros se tornam uma lembrança eterna, de algo que marcou profundamente a alma e a existência. São eventos que de alguma forma conseguiram impregnar a mente e certamente fazem de mim o que sou hoje, para o bem e para o mal. Este blog é sobre esses efêmeros e eternos momentos, os meus pequenos momentos, minha caixa de preciosidades, minhas lembranças, questionamentos e perguntas sem respostas...
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
Vai comer ou tirar foto?
Exercito minha boemia à luz do dia, sol à pino, um ou dois goles, copos, garrafas, tanto faz.
Preciso dum alívio pra cabeça, quero estar em sensação de flutuação, mar aberto, infinito, eu e o gigante sem preocupação, apenas o olhar sereno, a cabeça leve, os pés flutuando.
E foi assim, flutuando que ela apareceu, debruçou-se no balcão certeira do pedido, sentou-se na mesa à minha frente, esperou o pedido chegar, organizou tudo milimétricamente em cima da mesa, o copo, a garrafinha de cerveja, o alimento e fez uma foto que instantaneamente já circulou alguma rede social internética.
Me senti meio "das cavernas" por estar com um bloquinho de anotações e uma esferográfica, escrevinhando feito doido na mesa em pleno horário de almoço.
Ao sair do balcão, ela me deu uma olhada de cima abaixo, sentou na mesa bem em frente à minha e ficou me encarando, chamou minha atenção o fato de que ela cruzava e descruzava as pernas por baixo daquele vestido molinho, esvoaçante. Me olhava e cruzava novamente as pernas, me olhava e tirava uma nova selfie, arrumava as coisas em cima da mesa e fazia nova foto.
Comia, bebia, sozinha, me olhava, bebia, cruzava as pernas e arrumava o cabelo, bebia, me olhava e sorria. Quanto mais ela me olha tanto mais eu me encolho, quanto mais ela chega tanto mais eu me afasto.
Volto pra minha mesa, pro meu copo, pra minha caderneta, minhas anotações (inclusive o esboço deste ensaio) e me consumo, alheio à ela, alheio ao ambiente, alheio ao mundo.
E ao sair da bodega olho mais uma vez, com sorriso e biquinho ela me acena, em seguida mais um clique, mais uma postagem das redes sociais, mais uma curtida, mais ou menos isso...
Preciso dum alívio pra cabeça, quero estar em sensação de flutuação, mar aberto, infinito, eu e o gigante sem preocupação, apenas o olhar sereno, a cabeça leve, os pés flutuando.
E foi assim, flutuando que ela apareceu, debruçou-se no balcão certeira do pedido, sentou-se na mesa à minha frente, esperou o pedido chegar, organizou tudo milimétricamente em cima da mesa, o copo, a garrafinha de cerveja, o alimento e fez uma foto que instantaneamente já circulou alguma rede social internética.
Me senti meio "das cavernas" por estar com um bloquinho de anotações e uma esferográfica, escrevinhando feito doido na mesa em pleno horário de almoço.
Ao sair do balcão, ela me deu uma olhada de cima abaixo, sentou na mesa bem em frente à minha e ficou me encarando, chamou minha atenção o fato de que ela cruzava e descruzava as pernas por baixo daquele vestido molinho, esvoaçante. Me olhava e cruzava novamente as pernas, me olhava e tirava uma nova selfie, arrumava as coisas em cima da mesa e fazia nova foto.
Comia, bebia, sozinha, me olhava, bebia, cruzava as pernas e arrumava o cabelo, bebia, me olhava e sorria. Quanto mais ela me olha tanto mais eu me encolho, quanto mais ela chega tanto mais eu me afasto.
Volto pra minha mesa, pro meu copo, pra minha caderneta, minhas anotações (inclusive o esboço deste ensaio) e me consumo, alheio à ela, alheio ao ambiente, alheio ao mundo.
E ao sair da bodega olho mais uma vez, com sorriso e biquinho ela me acena, em seguida mais um clique, mais uma postagem das redes sociais, mais uma curtida, mais ou menos isso...
Natureza Viva?
Vi um golfinho dia desses, na orla da Praia do Farol, era umas 14h mais ou menos, foi incrível, chocante, fiquei sem palavras, foi a primeira vez que vi um golfinho de verdade na minha vida e ele estava morto.
Ele estava na orla, mas não na areia, estava jogado na calçada, devia ser um boto-rosa mas estava roxo, esticado com a pele inchada e estorricando ao sol delícia de Pernambuco.
Fiquei angustiado, de longe pensei ser uns sacos de lixo na calçada, quase tombando pra dentro da Avenida Beira-Mar, em frente à placa da Praia do Farol,em frente à faixa de pedestres.
Foi triste demais, fiquei meio atordoado com este tipo de informação, fiquei atônito, olhei em volta e as pessoas passavam indiferentes, nem olhavam, como se aquela cena fosse comum por aqui, espero que não seja, espero que não seja.
Comecei observar com mais atenção a poluição da Orla Pernambucana, não só da Orla, como dos rios todos por quais tenho passado, "Rios, pontes e overdrives" já dizia o Cientista.
Fico com vontade de entrar no mar com algum tipo de rede e ir arrastando aquelas toneladas de sacolas plásticas, potes e um inominável e incontável quantidade de entulhos que:
Ou as pessoas estão descartando diretamente no mar, quando vão à praia e não levam seus lixos embora;
Ou todo esse lixo vêm dos rios que cruzam todas as cidades aqui e descartam tudo diretamente no mar.
Ainda tem a possibilidade disso tudo, ou parte disso, vir do alto mar, de outros lugares, não sei.
Está aí uma questão para se pensar, em soluções, em ações, muita coisa para se pensar, muitas informações neste novo cotidiano Pernambucano.
Ele estava na orla, mas não na areia, estava jogado na calçada, devia ser um boto-rosa mas estava roxo, esticado com a pele inchada e estorricando ao sol delícia de Pernambuco.
Fiquei angustiado, de longe pensei ser uns sacos de lixo na calçada, quase tombando pra dentro da Avenida Beira-Mar, em frente à placa da Praia do Farol,em frente à faixa de pedestres.
Foi triste demais, fiquei meio atordoado com este tipo de informação, fiquei atônito, olhei em volta e as pessoas passavam indiferentes, nem olhavam, como se aquela cena fosse comum por aqui, espero que não seja, espero que não seja.
Comecei observar com mais atenção a poluição da Orla Pernambucana, não só da Orla, como dos rios todos por quais tenho passado, "Rios, pontes e overdrives" já dizia o Cientista.
Fico com vontade de entrar no mar com algum tipo de rede e ir arrastando aquelas toneladas de sacolas plásticas, potes e um inominável e incontável quantidade de entulhos que:
Ou as pessoas estão descartando diretamente no mar, quando vão à praia e não levam seus lixos embora;
Ou todo esse lixo vêm dos rios que cruzam todas as cidades aqui e descartam tudo diretamente no mar.
Ainda tem a possibilidade disso tudo, ou parte disso, vir do alto mar, de outros lugares, não sei.
Está aí uma questão para se pensar, em soluções, em ações, muita coisa para se pensar, muitas informações neste novo cotidiano Pernambucano.
Nova vizinhança
Saudou-me com um sorriso largo e um "Boa Noite!" essa senhorinha que conversava com sua vizinha, sentadas em frente suas moradias na subida do morro, enquanto observavam o movimento ainda frenético dos becos e vielas aqui do Monte.
- "Aliás, Bom Dia! Já passou da meia-noite, né?!"
A sorridente se corrigia e emendava uma pergunta que me deixou (sempre me deixa) de certa forma feliz:
-"Você é Rasta?"
- Eu?!? ( Respondi enquanto num flash tentava recordar minha aparência e "o quê" em mim lembrava um Rastafári enquanto ia subindo o morro naquela hora da madrugadinha, empurrando uma Cecizinha preta-colorida com o guidão lindamente adornado de fitilhos multicoloridos, de chinelos, bermuda, regata, de boinha embaixo da minha boininha.)
Estranhamente não é a primeira vez que uma pessoa total desconhecida me chama de "Rasta".
Confesso que gosto e me sinto de certa forma lisonjeado quando me familiarizam com a cultura Rastafári.
Eu retribui com um sorriso mais largo que o dela e a respondi:
- Acho que sou Rasta, sim, mas ainda não tenho o cabelo rasta."
- "Você parece um rasta mesmo, tá indo pra onde? Conhece os meninos aí?" (Perguntou enquanto apontava a entrada do Circo do Monte).
- Conheço eles sim, temos amizade, mas estou indo pra casa, acabei de me mudar pra cá, preciso subir esse beco do circo e subir ali pra entrada da rua.
-Eita! Você ainda tem que subir até lá!"
- É tranquilo, nóis tá indo pelo bem.
A senhorinha sempre sorridente me segura por mais uns minutinhos na curiosidade de conhecer o novo vizinho.
Batemos um papo rápido, me despedi e ao recomeçar meu caminho pra casa ela me saúda novamente e abençoa:
- "Boa Noite! Rasta. Vai com Deus! Seja bem-vindo à nossa favela!"
- Amém! Boas noites! Boa prosa pra vocês.
Falei meu nome e segui feliz meu caminho. Na curva após o beco do circo já avistei a raposinha, deitada, dormindo na viela de chão batido enquanto me esperava chegar. Quando me percebeu, levantou, latiu, desceu a ladeira em festa arrastando uma nuvem de poeira atrás de si e deixando metade disso tudo na minha roupa enquanto pulava alucinado, me mordendo, lambendo e se debatendo loucamente em mim. É, é assim que a raposinha me recebe todas as vezes que retorno pra casa.
Digo tranquilo que dia bom, Rasta, é o que começa com uma noite boa.
Benditas noites!
Bendito Amor!
INI
Bendito Amor!
INI
Vivo, morto. Morto, vivo!
Quando era moleque e trabalhava como officeboy em SP uma das coisas que mais gostava no centrão era ver artistas de rua, sempre deixava umas moedas lá.
Tinha gente fazendo mágica, lutando, dançando, fazendo malabarismo com fogo.
Tinha repentistas de todos os tipos, os tradicionais com chapéu de couro e gibão, os que faziam batalhas maneiras e originais, outros apostando em rimas com palavrões pesados e recheadas de 'elogios' à mãe alheia e uns que faziam rimas de graça duvidosa (geralmente preconceituosa) zuando de improviso as características da galera que estava na roda vendo as apresentações, era legal quando zuavam a pessoa desconhecida ao seu lado, mas quando zuavam algum defeito seu era foda porquê você se sentia super-exposto.
Sempre rolava os repentes sobre o homem rico x o homem pobre, o branco x o preto, a mulher bonita x a mulher feia, o palmeirense x o corinthiano.
Tinha os mágicos que enrolavam teu relógio num pano e quebravam na marretada e depois fazia o mesmo relógio surgir intacto de dentro do bolso da pessoa ao seu lado. Faziam truques com cartas e notas de dinheiro.
Tinha lançadores de facas, cuspidores de fogo e uns caras que te faziam segurar o cigarro na boca e usava um chicote gigante e barulhento para destroçar o cigarro em três partes sem esfolar teu nariz.
Tinha mestres de Capoeira, Karatê e Kung Fu, dando piruetas e saltos mortais, quebrando tijolos com a cabeça, caibros com golpes espetaculares e passando num salto por círculos feitos com aros de bicicletas cheios de faca ao redor, esses geralmente tavam vendendo pomada de peixe-boi da Amazônia, óleo de copaíba e sabonete de Juá.
Tinha quem fizesse feitiçarias e adivinhações com umas bonequinhas de plástico presas numa garrafa d'água, conforme o cara dava o comando as bonequinhas subiam e desciam na água respondendo assim qualquer pergunta que você fizesse, tinha gente que encantava serpente e gente que lia o futuro na palma da sua mão.
Todas essas pessoas, segundo suas falas, já tinham se apresentado "na Globo", no Silvio Santos, no programa do Gugú e no Raul Gil e sempre estavam de passagem pela cidade e precisavam duns trocados pra alimentação e pra bancar a noite na pousada.
De todas as milhares de apresentações que já vi repetidamente, a que sempre me lembro era dum cara que tava sempre na Boa Vista e que dava piruetas e fazia truques com cartas, no final do espetáculo, na hora de passar o chapéu ele sempre enfatizava:
"Tô precisando duns trocados porquê eu não tenho nem onde cair vivo, que se fosse pra cair morto eu já caia aqui mesmo"
"Tô precisando duns trocados porquê eu não tenho nem onde cair vivo, que se fosse pra cair morto eu já caia aqui mesmo"
Ah, pra esse cara eu nunca dava moedas, preferia contribuir com as notas, ficava imaginando a situação do sujeito sem ter onde cair vivo.
Lembranças do ginásio
Outro dia (uns anos atrás) eu estava num ponto de ônibus lá na Rua do Manifesto, no Ipiranga e um cara grandão, bem alto e fortão (mais gordão do que fortão), branquelo, daqueles que tem as bochechas rosadas, ficou me encarando.
Ele estava bem vestido e tals, cabelo curtinho bem penteado, de óculos escuros com uma pastinha tipo executivo na mão, acho até que estava de gravata.
No começo estranhei, achei que não era comigo, fiquei olhando pro outro lado, mas vez ou outra tinha que olhar na direção do cara pra ver se meu ônibus chegava e ele continuava me encarando.
Era por volta de umas 9h da manhã e comecei a estranhar por quê apesar de não estar olhando feio, ele não parava de me encarar.
Acho que foram os 20 minutos mais longos da minha vida, eu já tinha ficado preocupado, constrangido, já tinha ficado nervoso, tinha achado graça e já tinha ficado preocupado de novo, um monte de gente já tinha chegado e ido embora, um monte de ônibus já tinha passado e o cara continuava ali, me olhando fixamente.
Em dado momento, resolvi encará-lo também, vai saber né, alguma coisa teria que acontecer.
Depois de uns 20 segundos olhando fixamente, ele vem meio sério na minha direção:
"Desculpe a pergunta, mas você não é o Magrão?"
"Desculpe a pergunta, mas você não é o Magrão?"
Putz, quem me chama de Magrão tem que me conhecer há muitas décadas (desde 99 não uso mais esse apelido), fiquei um pouco mais tranquilo porquê na época que eu morava no Ipiranga esse era meu apelido mesmo.
Respondi que sim, era eu mesmo, o "Magrão"!
O cara tira o óculos escuros, olha bem de perto e diz:
"Cara, você nunca vai me reconhecer né, é porquê agora eu tô grandão mas continuo branquelo ó, sou eu, o "fulaninho", a gente brigou duas vezes na 6° série, lembra?"
"Cara, você nunca vai me reconhecer né, é porquê agora eu tô grandão mas continuo branquelo ó, sou eu, o "fulaninho", a gente brigou duas vezes na 6° série, lembra?"
Putz, me lembrei na hora, gelei, na 6° série ele era da minha altura, não era um monstro gigante daquele jeito e eu me lembrei de ter batido bem feio nele. Pegamos suspensão e tudo.
Fiquei sem saber o que fazer, fiquei meio constrangido, dei uma risada amarela e imaginei dezenas de desfecho para aquele encontro aleatório, confesso que até me preparei pra apanhar.
Aí ele chegou perto, me deu um puta abraço de urso, uma risada engraçada e enquanto espremia minha cabeça entre seu peito e sua barriga complementou:
"Nossa mano, a gente era foda no colégio né, aprontava demais, puta saudades daquele tempo, já pensou se eu fosse desse tamanho naquela época."
"Nossa mano, a gente era foda no colégio né, aprontava demais, puta saudades daquele tempo, já pensou se eu fosse desse tamanho naquela época."
Rapaz, confesso que fiquei sem ação, conversamos um pouco, ele me falou da vida dele, eu falei da minha, trocamos telefone, logo passou o ônibus dele, logo passou o meu.
Nos vimos mais umas três vezes naquele mesmo lugar (acho que aquele ponto de ônibus era caminho da casa de uma namorada minha) e tentamos combinar uma cerveja que nunca rolou, mas foi bem legal pra vida reencontrar aquela figura depois de tantos anos, dar boas risadas e ver que as molecagens de colégio, apesar de parecerem sérias pra época, eram só molecagens mesmo e que a gente traz pro presente só a parte boa.
De baú pra Pernambuco IV
O amor não escolhe caminho
O rapaz aparentando uns 21 anos subiu no ônibus em Aracajú e sentou na poltrona à minha frente, cumprimentou rapidamente e dormiu.
A moça com seus pouco mais de 20 subiu no ônibus em Maceió, sentou-se ao lado do dorminhoco.
Ele acordou, olhou para o lado e sorriu.
Amanheceram o dia proseando, se conhecendo, tomaram café da manhã juntos e já dividiam o fone do celular dela quando pouco antes de mais uma parada trocaram seu primeiro beijo.
Estão agora compartilhando churros e salada de frutas que os ambulantes da rodoviária de Caruaru trazem enquanto temos este último embarque-desembarque antes de chegar em Recife.
O amor é lindo, mesmo!
A moça com seus pouco mais de 20 subiu no ônibus em Maceió, sentou-se ao lado do dorminhoco.
Ele acordou, olhou para o lado e sorriu.
Amanheceram o dia proseando, se conhecendo, tomaram café da manhã juntos e já dividiam o fone do celular dela quando pouco antes de mais uma parada trocaram seu primeiro beijo.
Estão agora compartilhando churros e salada de frutas que os ambulantes da rodoviária de Caruaru trazem enquanto temos este último embarque-desembarque antes de chegar em Recife.
O amor é lindo, mesmo!
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